Campinas (SP) - A Companhia Ambiental de São Paulo (Cetesb) concedeu nesta quinta-feira (30) autorização para o início das obras de ampliação do Aeroporto Internacional de Viracopos. Depois de 15 anos de promessas e projetos, as obras de modernização de toda a estrutura do terminal começam nesta sexta-feira. A ideia é entregar o novo complexo já para a Copa do Mundo de 2014.
"Essas obras vão transformar Viracopos no mais moderno aeroporto da América Latina. Com a licença concedida dentro do prazo que havíamos solicitado, vamos entregar o novo terminal até maio de 2014", garantiu Luiz Alberto Küster, diretor-presidente do Consórcio Aeroportos Brasil, vencedor do leilão de privatização em 6 de fevereiro.
A obra é considerada estratégica para absorver a demanda do setor aéreo no Estado e fundamental para a atração da sede da abertura da Copa. "Fizemos um apelo ao Estado para que a licença saísse até agosto, porque temos um período sem chuvas até novembro. Com isso, vamos preparar tudo, lançar as sapatas e, quando começar o período de chuvas em novembro, o prédio já estará brotando", explicou Küster, destacando a importância de começar logo a terraplenagem.
Estrutura
O novo terminal terá 110 mil m² de área total, edifício-garagem com três pisos e capacidade para 4,5 mil veículos (o atual suporta 2,1 mil) e 28 posições para estacionamento de aeronaves com pontes de embarque e desembarque (fingers), o que não existe atualmente, além de sete posições remotas (com acesso aos aviões por ônibus).
A construção do novo terminal, da nova pista e do estacionamento fazem parte da primeira etapa das obras durante o período de 30 anos de concessão. Ao todo, cinco etapas deverão transformar Viracopos numa cidade aeroportuária, com centro de convenções, hotel e shopping.
De acordo com a concessionária, a primeira etapa receberá investimento de R$ 1,4 bilhão. Ao todo, serão investidos R$ 8,4 bilhões nas cinco fases. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
Trip e Avianca também tiveram avanço em participação de mercado em julho
Regiane de Oliveira- Brasil Econômico|
A estratégia da Gol de reduzir número de voos para tentar reequilibrar seu resultado financeiro já deu frutos, mas, por enquanto, os beneficiados foram Avianca, Trip e Azul. As três empresas lideraram o maior crescimento em participação no merca do em julho de 2012 quando comparada com o mesmo mês de 2011. Segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), a Gol perdeu 5,2 pontos percentuais em participação por número de passageiros por quilômetro transportados, ficando com 32,95%. No período, o número de assentos por quilômetro da companhia caiu 9,31%.
Enquanto isso, a Avianca e a Trip passaram de 3% para 4,74% e de 3% para 4,68%, respectivamente. O Grupo Tam, que consolida os resultados de Tam e Pantanal, ficou estável, com participação de 41,87% no mercado, contra 41,01%. A Azul fechou o período com um aumento de 1 ponto percentual na participação, que fechou a 10,03% do mercado. “Vivemos um momento ímpar da aviação nacional, em que os voos estão cheios, mas as empresas não dão resultado”, afirma Enio Dexheimer, comandante aposentado da Varig e professor de indústria aeronáutica da PUC-RS. “E até o final do ano, quando a demanda é maior, apenas Azul e Trip estão se preparando para absorver a procura, mantendo as encomendas”, diz. A assessoria de imprensa da Azul informou que a companhia, que tem hoje 56 aeronaves, prevê fechar o ano com 63 equipamentos.
De acordo com projeção da Tendências Consultoria , o fluxo de passageiros nos aeroportos no terceiro trimestre terá alta de 5,8% em relação ao mesmo período do ano passado, e de 2,8% na margem. “A elevação deverá ser concentrada nas linhas nacionais, uma vez que a desvalorização cambial deve ter impacto negativo sobre a demanda por viagens ao exterior”, informou a consultoria. Para o ano, a consultoria manteve a projeção de alta de 7%.
Em julho, a Gol havia divulgado que sua oferta doméstica teve queda de 6,7% comparado ao mesmo período do ano anterior, por conta da estratégia de racionalização de voos iniciada em março de 2012, que teve como resultado a descontinuação de aproximadamente 100 voos diários. “A rentabilidade dos voos foi o principal fator para definir os cortes, em que os trechos mais longos e voos noturnos foram os mais impactados”, segundo a empresa.
Voos internacionais
Apesar da redução nos voos domésticos, a Gol conseguiu ter um leve crescimento de participação em voos internacionais, em que saiu de 10,49% para 12,89% do mercado. A Tam, apesar da união com a LanChile, teve queda de 0,9 ponto percentual, para 87,11% de participação no mercado.
As empresas brasileiras não conseguiram se beneficiar do mês de férias escolares. Dados da Anac mostram que a demanda do transporte aéreo internacional para as aéreas caiu 2,33% em julho de 2012 em relação a julho de 2011. De janeiro a julho, houve crescimento da demanda em 0,59%, mas a oferta teve redução de 1,79%.
África do Sul busca agricultor brasileiro para vender comida ao Oriente Médio
Projeto incentivado pelo governo prevê o uso de estufas construídas no entorno do novo aeroporto de Durban como plataforma de produção e exportação
Dubes Sônego|
Dubes Sônego
Estufa da Dube Tradeport, ao lado do aeroporto de Durban, na África do Sul.
A África do Sul está em busca de agricultores e investidores brasileiros dispostos produzir comida no país para vender ao Oriente Médio e à Ásia. De acordo com Zamo Gwala, CEO da agência de atração de investimentos da província de KwaZulu-Natal, no noroeste do país, a África do Sul precisa tanto do dinheiro quanto da experiência dos produtores brasileiros – e também argentinos. Muitos dos agricultores locais estão se aposentando e as novas gerações de sul-africanos “não estão se interessando por agricultura”, afirma: “estamos importando comida de fora”.
O principal foco de atração da província é a região do entorno do novo aeroporto de Durban, o primeiro na África do Sul a seguir o conceito de cidades aeroporto (aerotrópolis). Construído para a Copa do Mundo, o empreendimento têm hoje capacidade ociosa e áreas reservadas para a edificação de hotéis, prédios de escritório, condomínios industriais e grandes estufas para a produção e alimentos, erguidas e alugadas por uma estatal da província criada especialmente para isso, a Dube Tradeport.
Na primeira etapa do projeto, iniciada há 14 meses, foram colocadas em funcionamento seis estufas, que totalizam 160 mil metros quadrados (16 hectares), todas climatizadas. A segunda etapa, a ser iniciada assim que a primeira estiver concluída, prevê a ocupação de outros 90 hectares com novas estufas, além de mais três unidades de armazenagem, lavagem, seleção e embalagem dos produtos – uma já está em funcionamento.
Dubes Sônego
À direita, dentro da estufa, equipamentos usados na climatização das estufas da Dube Tradeport, localizadas ao lado do aeroportod e Durban, na África do Sul.
Hoje, no local, são produzidos tomates, pepinos, pimentas e berinjelas para a rede varejista Woolworth, equivalente local da inglesa Marks & Spencer. Mas, de acordo com Hamish Erskine, diretor de TI e patrimônio da Dube Tradeport, em setembro, cerca de 80% da produção passará a ser embarcada em aviões para clientes de regiões do mundo com pouca área agriculturável Hong Kong, Taiwan e países do Oriente Médio. É quando será colocada em marcha também a última etapa de desenvolvimento da primeira fase do projeto, com a entrada em operação da estufa de flores.
Gwala não diz qual a rentabilidade do negócio. Mas a perspectiva é de que seja sustentável em até cinco anos. Na medida em que a receita aumenta, afirma, diminui o dinheiro fornecido como auxílio pelo governo.
Pelo modelo de negócio desenhado, cabe a Dube fornecer a infraestrutura. Os agricultores alugam a área, cuidam da produção e aproveitam as facilidades do aeroporto para vender seus produtos no exterior. A Dube também atende produtores da região que queiram utilizar somente as instalações de armazenagem, embalagem e logística.
“Temos terra, temos água e temos infraestrutura”, diz Gwala. “Estamos buscando no Brasil e na Argentina gente com experiência e dinheiro para produzir”. O entorno de Durban é forte na produção e cana de açúcar e existe expectativa do governo de desenvolver usinas de etanol na região. Da argentina, os sul-africanos pretendem atrair plantadores de soja.
A iniciativa faz parte de um programa mais amplo, do governo federal. Segundo Charles Manuel, vice-diretor de promoção e facilitação de investimentos do departamento de comércio e indústria da África do Sul, o país já está também em contato com cooperativas agrícolas brasileiras. A ideia é levar o modelo de cooperativas, que funciona bem no Brasil, para a África do Sul, como forma de agregar valor aos produtos agrícolas.
Centro logístico
Durban é hoje o principal centro logístico da África do Sul. Seu porto é o segundo mais movimentado da África, atrás apenas do de Suez. Através dele deverão ser movimentados neste ano cerca de 3,9 milhões de TEU (unidade correspondente a um contêiner de 20 pés). É mais do que o volume movimentado em Santos, o maior do Brasil, por exemplo. E há um projeto de expansão orçado em US$ 25 bilhões, já aprovado, que vai elevar a 22 milhões de TEU a capacidade de movimentação, até 2040.
No modal aéreo, o governo pretende incentivar o uso do novo aeroporto como hub de entrada para outros países da região. A Dube Trade também é a responsável por gerenciar o centro de movimentação de cargas do aeroporto de Durban, que terá um grande condomínio de empresas em uma área adjacente. Ali, em uma área de 26 hectares – primeira fase do projeto –, vão se instalar cerca 30 unidades de empresas. “Já fechamos com 19 e temos outros oito ou nove em vista”, afirma Claude Jerome Pretorius, responsável pelo marketing do empreendimento.
Entre as que já fecharam, afirma, estão unidades de armazenagem e distribuição de peças, uma empresa de confecção, unidades de montagem de produtos, empresas de logística e de alta tecnologia.
O projeto é parte de um plano maior do governo, de agregar localmente algum valor às commodities agrícolas e minerais que produz, como forma de gerar mais empregos e reduzir a desigualdade social. Mas, nesse caso, não prevê incentivos fiscais ou de qualquer outro gênero. A vantagem vendida pela província de KwalaZulu, onde está localizado o aeroporto, é a qualidade da infraestrutura para exportação e produção.
Iniciada há mais de um mês, a greve da Anvisa fez surgir no maior porto do país, em Santos, uma verdadeira máfia da liberação de remédios e equipamentos hospitalares. A denúncia é do repórter da Rádio Bandeirantes, Agostinho Teixeira.
Quem confirma são os despachantes aduaneiros, que revelam que o tamanho da propina é definido pelos fiscais, levando em conta o valor e a quantidade da carga. Em ligação telefônica, Teixeira obteve a confirmação de que os funcionários recebem a propina, em dinheiro.
Sem saber que está sendo gravado, o homem que se identifica como Edson diz que sempre é possível conseguir que os servidores da Anvisa liberem as encomendas.
O presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de Santos e Região, Cláudio de Barros Nogueira, descartou a possibilidade de haver um esquema de propina no porto e desqualificou o informante. “Ele não parece ser um aduaneiro. É um pobre coitado”.
A Appa (Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina) acaba de registrar recorde de movimento de caminhões pelo pátio de triagem. Segundo informações divulgadas, na semana passada, mais de três mil veículos pesados passaram por dia pelo local.
Grande parte desses caminhões são do Paraná mesmo, porém, alguns procedem também do Mato Grosso, Goiás, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Ao todo, os caminhões transportaram mais de 237 mil toneladas de grãos. O principal produto foi o milho, que somou mais quase 128 mil toneladas. De farelo foram quase 57 mil toneladas e de soja, 52 mil.
Um levantamento realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) revela que, pela primeira vez, o setor de transporte e logística lidera o total de fusões e aquisições realizadas no Brasil.
Os números, que abrangem o primeiro semestre deste ano, correspondem à R$ 6,5 bilhões, o que representa 31,5% do volume total negociado. Segundo o levantamento, esse percentual foi de apenas 0,5% em 2011 e 4,3% em 2010.
Para a entidade, o dinamismo deve se repetir daqui para frente, "tendo em vista os desafios ainda existentes para o desenvolvimento deste setor no País e os recentes incentivos anunciados pelo governo para investimentos nesta área".
Apelidada "Segurobras", empresa seria importante para viabilizar custo de obras de infraestrutura, mas também poderá atuar no mercado privado
iG São Paulo| - Atualizada às
O governo brasileiro deve criar uma empresa estatal que atuará no ramo dos seguros, apelidada de "Segurobras". Aprovada no Congresso sem alarde, a medida deve ser sancionada pela presidenta Dilma Rousseff durante a semana. As informações são da Folha de São Paulo.
O nome oficial da empresa será Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias. A estatal terá importante papel no fornecimento de garantias para obras públicas de infraestrutura, mas também poderá concorrer com as seguradoras que atuam no mercado privado, segundo o jornal. A Segurobras estará autorizada a prestar garantias nas áreas de habitação, crédito estudantil, exportação e veículos, que representa a fatia mais relevante do setor.
O mercado de seguros cresceu de forma acelerada nos últimos anos. Em 2011, somou faturamento total de R$ 105 bilhões, alta de 16,6% em relação ao ano anterior.
Criticada pelas seguradoras privadas, a ideia de se criar uma estatal de seguros foi arquivada durante o governo Lula. O texto retornou à pauta no mês passado e acabou aprovado no último dia 7, quando o julgamento do mensalão dominava as atenções no Congresso.
Para as empresas do setor, a "Segurobras" competiria em condições privilegiadas na disputa de obras públicas. Além disso, levantaria suspeitas quanto à gestão de risco dessas obras, uma vez que o executor – o governo – também vende a apólice do seguro.
O governo, por sua vez, alega que os preços dos seguros são altos no Brasil, principalmente em infraestrutura, o que ameaçaria os investimentos. Para o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), relator da medida provisória, o setor precisa de mais concorrência.
Recursos serão usados pela mineradora para realizar investimentos em logística nos Estados do Maranhão e Pará
Reuters|
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou um financiamento de R$ 3,9 bilhões para a mineradora Vale realizar investimentos em logística nos Estados do Maranhão e Pará, informou o banco em comunicado.
Segundo o banco, os recursos serão destinados à implantação do projeto Capacitação Logística Norte (CLN), criado para ampliar em 30,4% a capacidade de transporte e embarque de minério de ferro do Sistema Logístico da Vale, que abrange a Estrada de Ferro Carajás (EFC) e os terminais ferroviário e marítimo de Ponta da Madeira, no Pará e Maranhão.
Com isso, o CLN passará a ter uma capacidade de 150 milhões de toneladas por ano (Mtpa). Segundo nota do BNDES, o banco financiará 52,3% do projeto, que terá investimentos totais de R$ 8 bilhões e contempla a duplicação de aproximadamente 115 quilômetros da EFC; a aquisição de locomotivas e vagões; a construção de um berço de atracação (berço sul do Píer IV); e a ampliação da retroárea do terminal marítimo de Ponta da Madeira.
A expansão logística permitirá atender ao aumento de capacidade das operações de mineração em Carajás, elevando a competitividade da empresa no setor, informou o BNDES. O Brasil é o segundo maior produtor de minério de ferro do mundo, e os corredores de ferrovias e portos são um diferencial importante na redução de custos do minério, já que as minas de Carajás estão geograficamente distantes dos grandes consumidores asiáticos, sobretudo China e Japão.
Já o financiamento do BNDES ao projeto CLN 150 Mtpa terá impactos diretos sobre a produção da indústria brasileira de máquinas e equipamentos - com encomendas de vagões a fornecedores nacionais - e no crescimento do emprego na região. De acordo com projeções do banco, 15 mil postos de trabalho serão criados durante a execução das obras e 1,6 mil empregos diretos e indiretos deverão ser gerados na fase de operação logística.
O projeto traz, ainda, benefícios à população do entorno, em função de investimentos realizados na ferrovia e em áreas próximas. Além disso, a Vale destinará R$ 95 milhões para ações sociais nas áreas de apoio à gestão pública, infraestrutura, desenvolvimento humano e econômico, realizadas em 24 municípios do Maranhão e Pará. As iniciativas incluem treinamento e qualificação de mão de obra, investimentos em saneamento, pavimentação, moradia e programas voltados à saúde, educação e geração de emprego e renda.
Parte dos investimentos sociais não obrigatórios por lei será apoiada pelo BNDES por meio da Linha de Investimentos Sociais de Empresas. Serão priorizadas ações em municípios com baixos índices sociais na área de influência da ferrovia, com foco em educação e saúde básicas e geração de trabalho e renda.
Infraestrutura precária, déficit de mão de obra especializada e sistema tributário complexo são alguns dos entraves
BBC| - Atualizada às
Embora já tenha conquistado o posto de sexta maior economia do mundo em 2011, o Brasil ainda se vê às voltas com dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que destoam do papel assumido pelo país na cena internacional nos últimos anos.
Tal conjunto de entraves, o chamado 'Custo Brasil', impede um crescimento mais robusto da economia, minando a eficiência da indústria nacional e a competitividade dos produtos brasileiros.
Segundo especialistas, o recente cenário da queda dos juros deixou tais entraves ainda mais evidentes.
Agência Brasil
Pacote de investimentos de R$ 133 bilhões do governo brasileiro tenta diminuir 'custo Brasil'
'Por muito tempo, as empresas aproveitaram-se dos juros altos para ganhar dinheiro, aplicando seus lucros no mercado financeiro com vistas a maiores retornos. Porém esse cenário está mudando', afirmou à BBC Brasil André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Na prática, com aplicações agora menos rentáveis, as empresas começam a deslocar as aplicações do setor financeiro para o setor produtivo, investindo na expansão dos próprios negócios.
Nessa transição, o 'Custo Brasil' acaba ficando mais transparente, apontam os analistas.
Na semana passada, o governo anunciou um pacote de R$ 133 bilhões em concessões ao setor privado de rodovias e ferrovias brasileiras pelos próximos 25 anos, na tentativa de contornar graves gargalos da infraestrutura do país.
A decisão foi comemorada, porém ainda há um longo caminho a percorrer. Confira os cinco principais vilões do crescimento da economia brasileira, que, segundo as últimas previsões, não deve crescer acima de 1,75% neste ano.
1) Infraestrutura precária
Segundo um estudo do Departamento de Competitividade de Tecnologia (Decomtec), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), as empresas têm uma despesa anual extra de R$ 17 bilhões devido à precariedade da infraestrutura do país, incluindo péssimas condições das rodovias e sucateamento dos portos.
Como resultado, os custos logísticos acabam encarecendo o produto final. De acordo com um levantamento do instituto ILOS, cerca de 30% do preço da tonelada soja produzida em Mato Grosso e exportada do porto de Santos, por exemplo, referem-se apenas aos gastos com transporte do grão.
'O Brasil também fez uma opção pelo transporte rodoviário, mais caro do que outros meios, como ferrovias ou hidrovias', afirmou Márcio Salvato, coordenador do curso de Economia do Ibmec.
Além da infraestrutura, o país também sofre com as altas tarifas de energia elétrica, apesar de cerca de 70% de sua matriz energética ser proveniente de hidrelétricas, consideradas mais limpas e baratas.
Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Fierj), publicada no ano passado, mostrou que o custo médio de energia no Brasil é 50% superior à média global e mais do que o dobro de outras economias emergentes.
2) Déficit de mão de obra especializada
AE/THALES STADLER
Déficit de mão de obra especializada é um dos entraves ao crescimento brasileiro
Em alguns setores da indústria, o Brasil já vive 'um apagão de mão de obra', com falta de profissionais qualificados capazes de executar tarefas essenciais ao crescimento do país.
Segundo o mais recente levantamento feito pela consultoria Manpower com 41 países ao redor do mundo, o Brasil ocupa a 2ª posição entre as nações com maior dificuldade em encontrar profissionais qualificados, atrás apenas do Japão.
Entre os empresários brasileiros entrevistados para a pesquisa, 71% afirmaram não ter conseguido achar no mercado pessoas adequadas para o trabalho.
Para efeitos de comparação, na Argentina o índice é de 45%, no México, de 43% e na China, de apenas 23%.
'Se no Japão o maior entrave é o envelhecimento da população, o problema no Brasil é a falta de qualificação profissional', afirmou à BBC Brasil Márcia Almström, diretora da Recursos Humanos da filial brasileira da Manpower.
De acordo com uma pesquisa divulgada neste ano pelo Ipea, o governo direcionou apenas 5% do PIB em 2010 para a educação, contra 7% do padrão internacional.
'Sofremos com a falta de profissionais de nível técnico, de operações manuais e de engenheiros', acrescentou Almström.
Atualmente, segundo a consultoria McKinsey, apenas 7% dos trabalhadores brasileiros têm diploma universitário, atrás da África do Sul (9%) e da Rússia (23%).
3) Sistema tributário complexo
Segundo o relatório 'Doing Business' do Banco Mundial, são necessárias 2.600 horas por ano para empresas de médio-porte brasileiras somente para pagar impostos, contra 415 na Argentina, 398 na China e 254 na Índia.
'Já passou da hora para que o Brasil simplifique seu sistema tributário', disse André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.
Um dos exemplos da alta complexidade tributária no Brasil pode ser verificado no Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).
Como está presente em todos as etapas da cadeia produtiva, seu recolhimento ocorre diversas vezes e leva à cobrança de imposto sobre imposto, também conhecido de 'imposto em cascata'.
'São 27 legislações, uma para cada estado, além de alíquotas diferentes para cada produto. Isso sem falar na alíquota interestadual', afirmou Felipe Salto, economista da Tendências Consultoria e professor da FGV-SP. 'Isso dificulta a vida do empresariado brasileiro', acrescentou.
O resultado são produtos menos competitivos, que chegam mais caros às gôndolas e sofrem maior concorrência dos estrangeiros.
4) Baixa capacidade de investimentos público e privado
Historicamente, a taxa de investimentos tanto pública quanto privada é baixa no Brasil, em torno de 18% do PIB.
Especialistas consideram que seria necessário elevar esse patamar para, pelo menos, 25% do PIB, de forma a permitir um crescimento sustentável da economia.
Isso porque, sem investimentos, para a compra de novos maquinários ou para a construção de novas rotas de escoamento, por exemplo, há uma menor eficiência produtiva, o que encarece e diminui a competitividade dos produtos brasileiros.
'É preciso que o governo faça os ajustes necessários para aumentar a confiança do empresariado e, assim, incentivar o investimento', acrescentou Salto.
5) Burocracia excessiva
Segundo o Banco Mundial, entre 183 países o Brasil ocupa o 126º lugar quando se analisa a facilidade de se fazer negócios, abaixo da média da América Latina (95º) e atrás de países como Argentina (115º), México (53º), Chile (39º) e Japão (22º).
Até obter retorno sobre seus investimentos, cabe aos empresários brasileiros vencer uma via-crúcis, que, inclui, entre outras etapas, 13 procedimentos apenas para abrir um negócio, ou 119 dias.
Na Argentina, são necessários 26 dias, no Chile, 7 e na China, 14.
Entre tais procedimentos estão, por exemplo, a homologação da empresa em diferentes órgãos de supervisão, o registro dos funcionários e licenças ambientais.
'Ao fim e ao cabo, o custo das empresas é extremamente alto, antes mesmo que elas produzam qualquer centavo', afirmou Salvato.