Custo de frete menor do que o
caminhão, integridade da carga e redução das emissões de gás
carbônico. São com esses benefícios que as empresas de transporte marítimo
tentam atrair clientes para os navios que trafegam nas águas brasileiras.
Hoje, cerca de 15% das cargas
transportadas no país usam a navegação costeira. Já o modal rodoviário
representa mais de 60% da matriz de transporte do Brasil.
Para o diretor executivo da Hamburg
Süd, Julian Thomas, a cabotagem tem muito o que crescer no país, mas esbarra na
falta de infraestrutura dos portos brasileiros e nos custos de operação, hoje
muito mais altos que o do caminhão.
“O que mais pesa no custo
operacional é realmente o combustível, cerca de 60%. Para navegação o preço de
referência é cotado em Roterdã e uma tonelada de bunker (conteiners), chega a
US$ 690, o maior da história”, explica o executivo.
Em 2009, recorda ele, no auge da
crise econômica mundial, o combustível era cotado a US$ 450 a tonelada.
Em
desvantagem
No caminho inverso, o caminhão tem o
diesel que é subsidiado pelo governo federal. Hoje, o preço do combustível é de
cerca de R$ 2 o litro.
“A cabotagem tem um potencial enorme
para crescimento no país. Mas, temos que nos desdobrar para trazer para os
navios cargas que são transportadas pelo caminhão. Somos economicamente mais
viáveis em grandes distâncias, emitimos menos poluentes e somos mais seguros”.
Em distâncias acima de 1,5 mil
quilômetros entre a origem e o destino, a navegação costeira é até 15% mais
barata que o transporte rodoviário. “Há cargas que já migraram para a
navegação, como o arroz. Hoje, 100% do arroz é transportado por navio”, disse
Thomas.
Mercado
disputado
Com o aumento do interesse pela
cabotagem, a concorrência entre as empresas que realizam esse serviço no Brasil
está mais acirrada.
A Aliança Navegação e Logística é
quem lidera o setor, seguido pela Log-In Intermodal. A Aliança, que é a
subsidiária brasileira do armador alemão, Hamburg Süd, tem dois serviços de
cabotagem, cada um com quatro navios. Já a Log-In nasceu para a navegação
costeira.
“O serviço para Manaus geralmente é
o que tem menos capacidade ociosa. Cerca de 40% das cargas que chegam nas
empresas da região são transportadas por navios. Mas, a volta tem muito o que
crescer ainda”, disse o executivo. A empresa tem oito navios em operação.
Mas, mesmo com o cenário adverso,
Thomas acredita que o frete no serviço deve apresentar uma recuperação este
ano.
Segundo ele, as medidas
macroprudenciais adotadas pelo governo federal para estimular a economia serão
sentidas no segundo semestre deste ano. E com a indústria em pleno vapor o
transporte por navios pode ser mais demandado.
“O primeiro trimestre a economia
brasileira estava estagnada, isso fez os volumes transportados ficarem iguais
ao do ano passado. Mas, já percebemos que o setor industrial está se
recuperando comprando mais matéria prima.” Ele acredita que o a cabotagem no
país vai crescer cerca de 8% este ano em relação a 2011.