sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Companhias árabes e asiáticas usam crise econômica para ganhar mercado



Apoio do governo e investimento em rotas outrora “desprezadas”pelas empresas americanas e europeias impulsionaram o crescimento das companhias da região Ásia-Pacífico

Danielle Brant - iG São Paulo | 
De uns anos para cá, o brasileiro que viaja para o exterior se acostumou a ver nos principais aeroportos internacionais nacionais companhias aéreas de países como Emirados Árabes Unidos, Catar ou Cingapura. Mas a surpresa maior é descobrir que dez dessas empresas do Oriente Médio e Ásia lideram o ranking de melhores aéreas do mundo da Skytrax, companhia que realiza pesquisas independentes no setor aéreo. Para especialistas, o forte apoio governamental que algumas delas recebem e o crescimento do mercado asiático ajudam a explicar por que essas empresas deixaram para trás nomes tradicionais da aviação mundial, outrora dominada por americanas e europeias.
O ponto principal que sustenta a expansão das companhias do Oriente Médio e da Ásia tem a ver com a economia mundial. “Houve uma mudança no eixo econômico que, talvez, não estivesse clara alguns anos atrás, mas ficou mais evidente com a crise dos países desenvolvidos que foram perdendo poder econômico, em especial Europa e Estados Unidos”, afirma Marcos José Barbieri Ferreira, professor de Economia da Unicamp.
Conheça as dez melhores companhias aéreas do mundo, segundo ranking da Skytrax
Qatar Airways: a melhor companhia aérea do mundo pelo segundo ano seguido. Foto: Divulgação
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Enquanto isso, Emirados Árabes Unidos e Catar vêm mantendo um poder econômico muito grande, enquanto pequenas nações que ficam na borda da região da Ásia-Pacífico se beneficiam desse crescimento regional. “Esses países se tornam centros financeiros e comerciais de reciclagem de capital, onde há forte movimentação financeira, maior liberdade financeira, regras mais flexíveis e menos impostos”, ressalta.
“Eles também se tornaram grandes hubs mundiais, ou seja, grandes centros de conexões mundiais. As companhias trazem pessoas do mundo inteiro para lá e levam as pessoas do mundo inteiro para lá, se aproveitando da proximidade e ligação com esses países que mais estão crescendo no mundo”, complementa o professor.
Essas nações também se posicionaram como portas de entrada dessas regiões, por terem consolidado suas rotas domésticas em um momento em que as tradicionais americanas e europeias achavam que não valia a pena investir nesses locais. “O mundo ocidental descuidou muito, existia a percepção de que havia muito risco nesses países, seja comercial, político, de guerra”, afirma Antonio Uras, sócio de Consultoria da Ernst & Young Terco.
Como resultado, as companhias árabes e asiáticas navegaram sozinhas por um período grande sem serem incomodadas por nenhuma “grande”. “Elas criaram volume e ganharam escala, o que é tudo em aviação. Agora, têm rotas consolidadas, caras de entrar e são difíceis de desbancar. E essas empresas têm folga para vir brigar com quem está fraco no seu mercado de origem”, completa.
Apoio
Essa folga financeira, em um momento em que as principais companhias ocidentais passa por dificuldades em seus balanços, é reforçada por alguns fatores, segundo especialistas. Um deles seria a presença de sindicatos de trabalhadores mais fracos, o que faz com que essas empresas não enfrentem greves e paralisações como as que afetaram, mais recentemente, a alemã Lufthansa e a espanhola Iberia.
“Quando se fala de companhias ocidentais, há uma problemática com funcionários e sindicatos que não existe com as asiáticas e árabes, porque a organização dos funcionários é mais fraca e não é preciso negociar com sindicato de pilotos muito fortes”, ressalta Uras, da Ernst & Young Terco.
Algo que também ajuda a minar o poder de reivindicação dos funcionários é o fato de boa parte da infraestrutura aeroportuária ter gestão estatal. “Muitas companhias asiáticas e árabes são de propriedade de governos e chefes de Estado e sheiks. E essa influência se estende aos aeroportos, onde há um planejamento centralizado das operações das companhias aéreas”, afirma o especialista.
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Segundo especialistas, combustível subsidiado é uma das vantagens competitivas das aéreas do Oriente Médio
Esse apoio acaba gerando controvérsias, principalmente com a acusação das empresas americanas e europeias de que as rivais do Oriente Médio recebem ajuda governamental sob a forma de combustível mais barato. Mas, segundo especialistas, haveria um fundo de verdade nessas acusações. “A matéria-prima desses países é o petróleo. Às vezes é mais barato o litro de gasolina do que o de água. O que para Brasil, Estados Unidos e Europa é caro, para eles é matéria prima”, afirma Luciano Sampaio, sócio da PwC Brasil e especialista no setor aeroespacial.
Maurício Levy, sócio da Fama Investimentos, faz uma comparação para exemplificar a vantagem competitiva que o subsídio traria às empresas do Oriente Médio. “Na Gol, o combustível pode representar 35%, 40% de seus custos. Na Emirates, o peso seria de 10% a 15%”, explica. O barril de petróleo negociado na Bolsa Mercantil de Nova York é cotado no patamar de US$ 92, contra US$ 79,85 de um ano antes, uma alta de mais de 15%.
“Uma companhia ocidental tem que fazer hedge, comprar petróleo e se preocupar com a variação de preço e câmbio. A árabe com combustível subsidiado não precisa”, afirma Uras, da Ernst & Young Terco.
“A gasolina de aviação subsidiada dá uma vantagem que não tem como tirar em outras coisas. Os demais custos, com manutenção de avião, leasing, pagamento de pessoal, são os mesmos”, lembra. Entretanto, a manutenção das aeronaves para as companhias do Oriente Médio e asiáticas acaba se tornando um pouco mais cara, pois os aviões têm que ser enviados para a Europa ou para os Estados Unidos.
Apesar disso, a Emirates, uma das empresas que se beneficiaria dos subsídios, nega haver qualquer vantagem competitiva em relação ao combustível. Em comunicado disponível em seu site, a empresa afirma que os Emirados Árabes Unidos têm reservas de petróleo limitadas e uma refinaria de pequeno porte. “Os principais fornecedores de querosene são companhias de energia ocidentais que cobram preços de mercado”, afirma o documento.
Vale lembrar que somente o subsídio não garante que, no futuro, essas empresas continuem no azul. Muitas companhias aéreas americanas e europeias já contaram com participação do governo em algum momento da sua história. “O próprio mercado americano já teve ajuda por bastante tempo, mas, depois do 11 de Setembro, o governo precisou priorizar investimentos. Isso iniciou uma crise no mercado aéreo, e as empresas não conseguiram se sustentar”, afirma o sócio de Consultoria da Ernst & Young Terco. Air France, Alitalia e, mais recentemente, a TAP também são exemplos de companhias estatais que foram privatizadas e que apresentam prejuízo.
Reestruturação
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American Airlines em concordata: mais uma companhia aérea ocidental em crise
Para voltar a ganhar mercado, resta às empresas americanas e europeias remodelar suas operações, na opinião dos especialistas. “Elas devem optar por fusões para se manterem. British e Iberia já fizeram isso na Europa, LAN e TAM aqui na América do Sul”, afirma Luciano Sampaio, da PwC Brasil. “É uma forma de serem mais competitivas, pois o custo fixo por aeronave diminui”, ressalta.
Um dos últimos movimentos nesse sentido foi dado pela Emirates e pela Qantas, que, em 6 de setembro, assinaram um pacto que dará aos clientes da companhia árabe uma rede internacional e contínua à Austrália.
Mas, na opinião de Antonio Uras, por si só as parcerias não resolvem. “O setor de aviação é absolutamente cíclico, e estamos em um ciclo de maus resultados. É difícil achar causa única para os problemas (das companhias americanas e europeias), seja o preço do petróleo, a queda do volume de passageiros, o custo da mão de obra”, ressalta Antonio Uras. “Há um movimento de consolidação. Por exemplo, a United se uniu à Continental para ganhar escala, mas não consegue resolver todas essas questões.”
“O que precisa é resgatar a preocupação com o serviço. Viajar de avião hoje é parecido com transportar gado. Talvez esse seja um dos pontos de diferenciação, retomar a preocupação com o serviço”, analisa Uras.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Governo passará à iniciativa privada aeroportos de Rio Preto e Araçatuba


19/09/2012 20h15 - Atualizado em 20/09/2012 11h58

Em Rio Preto, voos chegam ao mesmo tempo e a falta de estrutura do local.
Em Araçatuba, as obras de reforma do aeroporto já estão adiantadas.

Do G1 Rio Preto e Araçatuba
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O governo do Estado de São Paulo anunciou a concessão de todos os aeroportos do estado para a iniciativa privada, incluindo os aeroportos da região noroeste paulista. A medida causa desconfiança nos passageiros.
No aeroporto de São José do Rio Preto(SP), voos chegam ao mesmo tempo e a falta de estrutura do local fica evidente. Não há torre de controle e a comunicação entre pilotos e controladores de voos é feita via rádio.
O piloto César Lima é piloto civil e conhece bem estas dificuldades. “Poderia melhorar porque hoje existe um serviço de informação de voo, sendo que em Ribeirão Preto nós temos um controle de tráfego aéreo completo”, afirma.
E o movimento só aumenta. Nos seis primeiros meses deste ano passaram pelo aeroporto de Rio Preto mais de 450 mil passageiros, 20% a mais que no mesmo período do ano passado.
Para diminuir os problemas de infraestrutura, o governo anunciou a concessão dos aeroportos de São Paulo para a iniciativa privada, incluindo o de Rio Preto e de Araçatuba (SP). O processo deverá ser feito até 2014. Por meio de parceira público privada, os aeroportos continuam sob tutela do estado, mas a gestão passa a ser particular.
Hoje a rede é administrada pelo Daesp, Departamento Aeroviário de São Paulo. Paralelo a isso, o governo tem projeto para reforma e ampliação do terminal de passageiros e para a construção da torre de controle, mas a previsão de abertura de licitação é só para o ano que vem. “Precisamos de um saguão maior, com mais infraestrutura, para que quando chegue dois ou três voos de uma vez não fique apertado o sagão”, diz o taxista Marcos Roberto Fiorillo.
Em Araçatuba (SP) as obras de reforma do aeroporto já estão adiantadas. Elas começaram no ano passado, com adequações na pista e nas vias de acesso para cumprir as exigências do Daesp. A previsão é que até o final do ano o terminal seja ampliado.
O aeroporto foi o terceiro do estado que mais cresceu em movimento de passageiros este ano. Mais de 95 mil pessoas já passaram por lá.
Movimento no aeroporto de Rio Preto cresce a cada dia (Foto: Reprodução/TV Tem)Movimento no aeroporto de Rio Preto cresce a cada dia (Foto: Reprodução/TV Tem)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Concessionária negocia base dos Correios no Aeroporto de Viracopos


18/09/2012 13h06 - Atualizado em 18/09/2012 18h17


Campinas e Guarulhos disputam hub de distribuição, diz gerente comercial.
Empresa aérea de cargas FedEx também está interessada na centralização.

Isabela LeiteDo G1 Campinas e Região
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Com greve, cargas ficam paradas em terminal do Aeroporto de Viracopos (Foto: Reprodução / EPTV)Terminal de cargas de Viracopos é o maior do
Brasil (Foto: Reprodução/EPTV)
A concessionária Aeroportos Brasil está em negociação com a Empresa Brasileira deCorreios e Telégrafos para a implantação de um hub da estatal no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), para distribuição de carga doméstica. De acordo com o gerente comercial da concessionária, Carlos Valente, o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) também está na disputa pelo ponto de distribuição oficial no estado de São Paulo. A Aeroportos Brasil venceu em agosto a concorrência para administrar o terminal durante 30 anos.
A informação sobre as negociações foi divulgada em evento organizado pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) nesta terça-feira (18) durante apresentação a empresários do projeto de ampliação de Viracopos, divulgado pela Aeroportos Brasil na segunda-feira (17). O aeroporto de Campinas possui o maior terminal de cargas do país e movimenta por ano 289 mil toneladas em importação e exportação.
Os detalhes das negociações com os Correios não foram divulgados por Carlos Valente porque foi assinado um termo de confidencialidade sobre o assunto. O gerente comercial da concessionária informou apenas que a implantação do hub de carga doméstica faz parte de um plano de posicionamento estratégico da estatal no Brasil para melhorar a eficiência na distribuição.
A empresa aérea de transporte de cargas FedEx, que possui uma base em Campinas, informou no evento que também tem a intenção de criar um hub oficial em Viracopos. Atualmente, a companhia possui um armazém, duas aeronaves no terminal que operam para a Argentina e o Chile, além de outro avião que está diariamente em deslocamento entre o Brasil e os Estados Unidos. O volume de carga movimentado por Viracopos não foi divulgado pela FedEx.
"Hoje nós temos o que chamamos de 'conceito de hub' em Campinas. A cidade é a nossa porta de entrada para todo o cone sul na América Latina, mas ainda não temos um hub oficial", explica o gerente sênior de operaçõos da FedEx no Brasil, Luis Mauri, que afirma ainda que a empresa sempre apostou no aeroporto de Campinas, mas espera a construção do novo terminal de cargas para definir como será definido o ponto de distribuição.
O G1 entrou em contato com a assessoria de imprensa dos Correios  que afirmou que pretendem instalar terminais em Viracopos e também em outros aeroportos brasileiros e estão em conversações com as administrações das concessionárias.
Transporte de cargas
O aeroporto de Viracopos é o maior terminal de cargas do país e movimenta por ano 289 mil toneladas em importação e exportação. A concessionária Aeroportos Brasil prevê, que até o fim da concessão, o volume aumente para 1 milhão de toneladas anualmente.
Crescimento depende de linha férreaO crescimento de Viracopos depende que projetos de linha férrea, como Trem de Alta Velocidade (TAV), saiam do papel, segundo a concessionária. O plano de ampliação apresentado na segunda-feira prevê a integração com sistemas de transporte férreo e rodoviário. Atualmente, o aeroporto recebe sete milhões de passageiros por ano e a expectativa é que esse número dobre até 2014, chegando a 80 milhões no fim do contrato, uma elevação de 1024% no movimento.
Segundo o presidente do conselho de administração da concessionária, João Santana, na segunda fase do projeto, a partir de 2015, está prevista a construção de estações para trens de alta e baixa velocidade. “Para chegar a 80 milhões de passageiros, o aeroporto necessita de ligações ferroviárias, seja o trem de alta velocidade como também os trens regionais. É muito importante que isso ocorra, mas estamos seguros que irá ocorrer”, disse Santana.
A concessionária defende ainda que a previsão é baseada na expectativa de crescimento da economia brasileira juntamente com o potencial da região de Campinas.
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Perspectiva do plano de ampliação do aeroporto de Viracopos,em Campinas (SP) (Foto: Divulgação  )Perspectiva do plano de ampliação do aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP) (Foto: Divulgação )

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Aeroporto de Porto Alegre terá anel viário


 Atualizado em segunda-feira, 17 de setembro de 2012 - 10h05


Obra orçada em R$ 83 milhões terá recursos provenientes de financiamento da Caixa Econômica Federal
Condições do terreno encareceram as obras / Gabriela Di Bella / MetroCondições do terreno encareceram as obrasGabriela Di Bella / Metro
O aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, vai ganhar um “anel viário” a partir da duplicação da avenida Severo Dullius. Na sexta-feira, a prefeitura publicou aviso de licitação para duplicar 2,4 quilômetros ligando a avenida à zona leste da cidade. Com o prolongamento, que ligará a avenida com a Dona Alzira e dali para a zona leste, o aeroporto ganhará acesso direto para todas as regiões da capital. O projeto também permitirá uma ligação entre o aeroporto e a avenida Assis Brasil.


A obra de ampliação está orçada em R$ 72,7 milhões, mas o projeto deverá custar pelo menos mais R$ 10 milhões devido à situação atual do terreno onde será realizada a ampliação da Severo Dullius. As empresas interessadas têm até às 16h de 17 de outubro para apresentar os documentos necessários à declaração de interesse. Os recursos para a obra sairão por meio de financiamento da Caixa Econômica Federal.

“Queremos fazer um anel viário para o aeroporto. Todo o trânsito que vem pela BR-116 poderá ter a Severo Dullius como alternativa e, com isso, os motoristas evitariam o trânsito do centro”, explicou o secretário extraordinário da Copa de 2014, Urbano Schimitt. O principal problema do processo está em preparar o solo da região. Em junho, a prefeitura assinou contrato com a BR Sul Serviços para a substituição do piso onde será implantado o prolongamento, que já abrigou um depósito de lixo. “São as mesmas dificuldades que encontramos nas obras do aeroporto. O custo da obra é alto por que é uma intervenção complexa em um terreno bastante irregular”, explica.

As reformas na avenida Severo Dullius integram o projeto de melhorias do Aeroporto Salgado Filho para a Copa de 2014.