quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dilma nega atraso em obras e diz que aeroportos e estádios serão entregues no prazo para Copa

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quinta-feira que o Brasil vai estar preparado para “fazer a melhor Copa do Mundo”. Em entrevista a emissoras de rádio do Ceará, nesta quinta-feira, a presidente disse que o cronograma de obras de aeroportos e estádios está seguindo o prazo e não deverão existir atrasos na entrega das construções.

“Nós, junto com os governadores e prefeitos das cidades, estamos tomando todas as providências. Nos estádios, temos um esforço imenso, como o caso aqui de Fortaleza, que já em processo de construção. Mas eles têm que ficar pronto até dezembro de 2013, para se ter uma questão tranquilia e confortável. Temos outros [estádios] que estão um pouquinho mais demorado, mas segundo a última avaliação e monitoramento, todos ficarão prontos”, afirmou.

Segundo ela, as obras nos aeroportos estão com o cronograma “seguido à risca”.

“Vamos ampliar os aeroportos que são mais congestionados, não só para Copa, mas para a temporada de férias. Nós vamos também fazer um processo de concessão, onde a Infraero vai ficar com 49% e a iniciativa privada com o restante”, disse.

Dilma ainda garantiu que as obras que forem licitadas até o final do ano entrarão na lista de prioridade de PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) da Copa do Mundo. “O que não for licitado, ficará na prioridade, mas terá que ficar pronto a dezembro de 2013, senão não entrará no PAC da Copa.”

A presidente anunciou que investimentos serão realizados para melhorar o serviço de Internet nas cidades que serão sede da Copa.

“Temos que ter uma estrutura de transmissão de banda larga para dar acesso às televisões do mundo que vêm cobrir o evento. Todas as empresas de telefonia que desejarem, vão participar do processo. Nós queremos ter no entorno dessas cidades uma estrutura muito importante de transmissão de imagem, de dados, de voz. E nós melhoramos também assim a qualidade de acesso da Internet das cidades”, afirmou Dilma.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Concorrente chilena da Lan tenta barrar acordo com TAM


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MARIANA BARBOSA
DE SÃO PAULO
O Tribunal Constitucional do Chile deve julgar hoje um pedido de bloqueio da venda da TAM para a Lan, um negócio de US$ 3,3 bilhões.
O pedido foi feito pela Pal Airlines, concorrente da Lan no Chile, no dia 3. A Lan deve apresentar a sua defesa hoje no julgamento.
A intenção de criar a Latam foi anunciada em agosto do ano passado. A expectativa inicial era concluir a negociação, após o trâmite regulatório, em julho deste ano.
Ontem, o presidente da TAM Linhas Aéreas, Líbano Barroso, disse que a nova previsão é concluir a operação no primeiro trimestre de 2012.
"Estamos otimistas. Contribuímos e demos todas as informações. Temos interagido. Não há nenhuma informação que não tenhamos dado", disse o executivo após participar de um seminário.
A fusão está suspensa desde o início do ano, quando o TDLC, o órgão de defesa da concorrência chileno, acatou a demanda de uma associação de direito dos consumidores contrária ao negócio.
Procurado pela Folha, o TDLC informou que deverá emitir um parecer sobre o caso na próxima semana.
No Brasil, a operação já recebeu o sinal verde da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Terá ainda de passar pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Piratas assaltam embarcação com 150 pessoas no rio Solimões


Uma embarcação com 150 pessoas a bordo foi atacada por seis piratas entre domingo e a madrugada desta segunda-feira na região da boca do Anamã, no rio Solimões, informou a Polícia Militar do Amazonas.

Armados com espingardas e rifles, piratas dominaram a tripulação por cerca de cinco horas. Por volta das 3h da madrugada de hoje eles fugiram em uma voadeira (canoa com motor de popa) que dava suporte ao grupo. Não houve feridos.

Segundo a polícia, os passageiros e tripulantes foram obrigaram a tirar as roupas e a entregar joias, dinheiros, notebooks e telefone celulares aos bandidos.

Os piratas deixaram os passageiros e tripulantes, incluindo o comandante, amarrados no porão da embarcação. "Eles bateram em muita gente e amarraram todos no porão, foi uma coisa que nunca vi na minha vida", disse o comandante do navio Fênix em depoimento, Antônio Ademar Souza da Silva.

O comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar, coronel Fabiano Bó, disse que a embarcação Fênix partiu do porto de Tefé (525 quilômetros de Manaus) na manhã de sábado com destino a Manaus. Fez escalas nas cidades de Coari e Codajás.

Segundo ele, os assaltantes, que estavam a bordo, se disfarçaram de passageiros. Eles embarcaram em Coari, segundo a polícia. Outros dois estavam na voadeira, que seguia a embarcação pelo rio Solimões.

O coronel Fabiano Bó afirmou que um passageiro conseguiu avisar a polícia. O barco Fênix foi encontrado a deriva na região da ilha do Ajaratuba, distante a duas horas de barco da cidade de Manacapuru (80 quilômetros de Manaus). Uma equipe da polícia escoltou o barco até o porto de Manacapuru.

Em junho, um outro ataque de piratas foi registrado em embarcação no rio Negro, próximo à cidade de Novo Airão, no Amazonas. Em julho, na ilha de Marajó, no Pará, uma mulher foi morta em outro ataque.

Infraero inicia - sem impactos - obras na pista do Aeroporto de Guarulhos

Conforme planejamento da Infraero, foram iniciadas neste domingo (7/8) as obras de revitalização na pista de maior extensão (3,7 mil metros) do Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos – Governador André Franco Montoro (SP). Para a realização do serviço, a pista foi parcialmente interditada, sendo que os 2,2 mil metros de extensão restantes serão utilizados normalmente para a operação de voos. Além dessa pista, o aeroporto possui outra com 3 mil metros.

A data de início da obra, com prazo estimado de duração de quatro meses - sem interromper a operação do tráfego aéreo do sistema de pistas e as atividades do Aeroporto de Guarulhos – foi definida entre a Infraero e representantes das empresas aéreas, Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Sindicato Nacional das Empresas Aéreas (Snea).

Obras

A obra foi planejada em diversas fases. A primeira etapa compreende a interdição parcial da pista; realização da sinalização horizontal para o deslocamento da cabeceira; ajustes no sistema de balizamento e isolamento da área. Na próxima etapa, acontecerá a remoção da camada superior do pavimento asfáltico; substituição e implantação de novos sistemas de balizamento; recomposição do pavimento e execução do grooving (ranhuras). A etapa seguinte será a execução da interligação dessa pista com uma saída rápida - denominada PR-FF - e a finalização do prolongamento da pista de rolamento – chamada PR-B.

Todo o trabalho faz parte de um conjunto de obras que ocorrerão simultaneamente e que vão ampliar a capacidade de processamento de aeronaves no sistema, além de proporcionar maior fluidez nas operações de pousos e decolagens do aeroporto.

Esse empreendimento está sendo realizado, conforme o Termo de Cooperação firmado entre a Infraero e o Comando do Exército, pelo Departamento de Engenharia e Construção.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Aeroportos do Rio fecham por 4 horas e 319 voos são afetados

8/08/2011 - 16h54


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DIANA BRITO
DO RIO
Os aeroportos Tom Jobim (Galeão), na zona norte do Rio, e Santos Dumont, no centro, tiveram 98 voos cancelados e 221 atrasados nesta segunda-feira por causa da forte neblina que atingiu a capital --segundo a Infraero (estatal que administra os aeroportos). No total, 319 voos foram afetados.
Veja fotos da neblina que atingiu o Rio
O aeroporto Tom Jobim ficou fechado para pousos das 5h às 9h de hoje. As decolagens ocorreram durante todo o dia com auxílio de instrumentos.
Até as 12h, das 78 chegadas programadas, 16 foram canceladas e 52 atrasaram pelo menos 30 minutos. Ainda de acordo com a Infraero, das 88 partidas programadas, 18 foram canceladas e 49 atrasaram. Até as 10h, 23 voos domésticos e nove internacionais foram desviados para aeroportos de Belém, Brasília e Belo Horizonte.

Marcel Merguizo/Folhapress
Painel do aeroporto de Congonhas mostra voos afetados pela neblina que fecha o aeroporto Santos Dumont, no Rio
Painel do aeroporto de Congonhas, SP, mostra voos afetados pela neblina que fechou aeroportos do Rio
Já o aeroporto Santos Dumont, no centro do Rio, reabriu para decolagens às 10h03 e para pousos às 10h41, após ficar fechado mais de quatro horas por causa do nevoeiro.
Segundo a Infraero, das 93 partidas programadas até as 15h30 desta segunda-feira, 34 foram canceladas e 68 atrasaram. Já das 87 chegadas programadas, 30 foram canceladas e 52 atrasaram. A estatal também registrou o desvio de pelo menos três voos para o Tom Jobim.
Até as 16h, apenas o aeroporto internacional funcionava com ajuda de instrumentos. No período da tarde, passageiros ainda enfrentavam longas filas nos balcões das companhias aéreas dos aeroportos. Mesmo assim, não há registro de confusão.

Dobra o número de usuários nos aeroportos do interior de SP

DE SÃO PAULO

A combinação de preços em queda, novas empresas, mais linhas e mais gente disposta a viajar de avião está levando um número recorde de passageiros aos "aeroportos caipiras" de São Paulo.

A informação é da reportagem de José Benedito da Silva publicada hoje na Folha. Areportagem completa está disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha.

De acordo com o texto, em dois anos, o fluxo mais que dobrou: de 598,5 mil no primeiro semestre de 2009 para 1,23 milhão em igual período deste ano (106%). A alta nos 31 aeroportos administrados pelo Daesp, órgão do governo de São Paulo, supera até mesmo o decantado boom aéreo vivido pelo país.

Três aeroportos concentram 80% do fluxo ---Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Presidente Prudente, todos com voos diários diretos para os três principais terminais do Estado: Viracopos, Cumbica e Congonhas.

A demanda recorde levou o Daesp a lançar neste ano um pacote de intervenções de R$ 60 milhões para melhorar a infraestrutura desses locais --havia investido R$ 21 milhões em 2009 e 2010.

Editoria de Arte/Folhapress

Capacidade máxima já foi atingida em 12 aeroportos do Brasil

Falta de atenção seria uma das causas do choque entre Legacy e Boeing da Gol em 2006. Cerca de 80 aeronaves sobrevoam São Paulo nos horários de pico.

A viagem pelos céus do Brasil começou mal. “Visibilidade uno, mil metros, névoa úmida”, diz o piloto. Era uma sexta-feira de manhã, início de julho, mês de férias, e uma forte névoa fecha o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Um avião ia pousar, mas arremeteu. Desistiu por falta de visibilidade.

“Os aviões que se aproximam do aeroporto e não conseguem encontrar esse aeroporto vão ter que subir novamente e entrar em uma nova fila. Isso satura o controle de tráfego aéreo e faz com que o número de aviões no espaço cresça muito”, afirma o consultor aeronáutico Jorge Barros.

Isso provoca congestionamento no ar, atrasos e cancelamentos de voos no solo, além de irritar os passageiros em terra e no céu.

Embarcamos no avião do consultor aeronáutico Jorge Barros, o November Tango Mike, como é identificado na linguagem aeronáutica. No quarto mais movimentado aeroporto do Brasil, cinco horas depois do previsto, enfim, a viagem pode começar.

“Estamos autorizados a dar partida. Depois de aquecer o motor, vem a outra etapa, que é conseguir um espaço entre os aviões do aeroporto para conseguirmos decolar. Tem três aeronaves na nossa frente. Temos que aguardar uma aeronave pousar para que libere uma outra, porque as pistas não podem ser operadas simultaneamente”, comenta o consultor aeronáutico Jorge Barros.

O movimento de aviões visto da cabeceira da pista, onde esperamos por mais de 20 minutos, é impressionante: um atrás do outro. Nos últimos cinco anos, os pousos e decolagens cresceram 53% no Brasil e o número de passageiros, 83%.

Acabamos de decolar e a torre alerta para um avião perto de nós. “November Tango Mike, prossiga sob regras de voo visual, atento a aeronave em sentido contrário, OK?”, informa o controlador de voo. Pouco depois: “November Tango Mike, existe um tráfego a dez milhas no rumo oposto visual”, continua o controlador.

Nosso primeiro destino é Belo Horizonte. O comandante Jorge Barros precisa saber como está o tempo por lá. “Para ter certeza que, ao chegar lá, o tempo vai estar adequado para o pouso do avião”, explica.

Ele tenta falar com o Volmet, o serviço de informações meteorológicas para pilotos. O mais próximo nesse momento do voo é o de Brasília. São várias tentativas, mas ninguém responde. O piloto de um Airbus que voa bem mais alto entra na frequência e nos diz que o tempo está bom em Belo Horizonte. Ele confirma a suspeita do comandante Jorge. “O Volmet nessa região é meio enrolado. Dificilmente a gente consegue uma informação Volmet aqui”, conta o piloto do outro avião.

Com a informação de que o November Tango Mike não conseguiu se comunicar com o Volmet, procuramos o departamento da Aeronáutica responsável pelo espaço aéreo brasileiro, o DECEA.

“Isso é difícil de acontecer. Foi a primeira vez que me trouxeram um relato de Volmet que não consegue falar. Mas isso é bom que eu já vou mandar averiguar, porque isso nos temos que ver”, afirma o chefe de gerenciamento de navegação aérea do DECEA, Ary Rodrigues Bertolino.

Pousamos em Belo Horizonte com visibilidade total. Foi um pouso tranquilo. Mas já no trecho seguinte, um susto. Jorge faz contato com a torre de Brasília, nosso próximo destino, e a controladora diz que não sabe da nossa existência. “No momento, nós não temos a visualização de sua aeronave”, disse a controladora.

Tentamos passar nossas coordenadas, mas somos interrompidos por outras conversas de pilotos com a torre. Até que, um minuto depois, o comandante consegue passar o código pelo qual deveríamos estar sendo identificados na tela da controladora. “Centro de Brasília ciente, nós estamos recebendo sua visualização, mantendo 084”, diz a controladora.

“Imagina se nessa situação nós tivéssemos uma emergência a bordo e eu colocasse no meu transponder o código de emergência. Ele não vê”, conta o comandante Jorge Barros.

“Tem que se identificar qual foi o problema para poder ver o que aconteceu na prática, porque isso não é uma situação normal de se acontecer”, explica Ary Rodrigues Bertolino.

“É difícil dizer se a falta de visualização radar na tela do controlador é uma questão de qualidade e manutenção dos equipamentos ou se é uma pura questão de falta de atenção do controlador”, afirma o comandante Jorge Barros.

A falta de atenção de controladores é apontada como uma das causas de uma das piores tragédias da aviação brasileira: o choque entre um jato Legacy 600 e um Boeing da Gol em pleno ar. O escritor Ivan Sant’anna, que já lançou três livros sobre desastres aéreos, pesquisou o caso.

“A colisão do Gol contra o Legacy foi causada por negligência e imperícia tanto dos dois pilotos do Legacy como por negligência e imperícia dos controladores da torre de Brasília”, aponta o escritor Ivan Sant’anna.

Em 2006, ao decolar em São José dos Campos, o Legacy recebeu autorização do controle para voar no nível 3-7-0 – 37 mil pés de altitude – até o destino final, Manaus. Foi a primeira falha. Essa altitude valia só para o trecho inicial. Em Brasília, teria que ser trocada para 3-6-0, mil pés abaixo.

Ao passar por Brasília, outra falta de atenção: o Legacy continuava no nível 3-7-0, mas ninguém no controle percebe. Dali até Manaus, o nível 3-7-0 é uma via de mão única exclusiva para o sentido norte-sul, ou seja, a direção oposta do Legacy. Na altitude e no sentido certos, vinha do Norte o Boeing 737 da Gol, com 154 pessoas a bordo.

O Fantástico conversou com um dos controladores responsáveis por acompanhar o Legacy e o Boeing na tela e que deveria ter alertado os pilotos sobre a altitude correta.

“Por algum motivo a aeronave não atendeu aos meus chamados, às minhas várias chamadas, com a intenção de fazer a monitoração e se fazer qualquer tipo de correção necessária. Saber que ‘olha só, não recebo sinal do seu transponder, você pode confirmar se recebe? Que nível está mantendo?’Toda essa conduta eu iria adotar caso tivesse sucesso de comunicação com a aeronave Legacy e que infelizmente eu não tive. Não tive nenhuma resposta”, conta o controlador de tráfego aéreo Lucivando de Alencar.

Nos Estados Unidos, encontramos um dos pilotos do Legacy, Joseph Lepore. Condenado no Brasil pelo acidente, ele continua trabalhando como piloto na aviação comercial. Lepore não quis falar com a equipe do Fantástico.

Lucivando de Alencar também foi condenado, mas continua no controle aéreo. O controlador e os pilotos americanos recorrem na Justiça. Mas o que o controlador Lucivando e seus colegas fizeram ou deixaram de fazer nesse caso não teria a consequência trágica que teve se o TCAS tivesse funcionado.

Todo avião comercial e executivo tem um sistema anticolisão chamado TCAS. Em um simulador, o Fantástico vai mostrar como funciona. O TCAS avisa quando dois aviões voam um em direção ao outro em rota de colisão.

Cerca de 40 segundos antes do possível choque, o que acontece na cabine? “Um avião que está representado por um losango vazado vai ficar cheio, em amarelo, e dá um aviso sonoro de tráfego”, explica o piloto Laerte Gouveia. E se os dois aviões não mudarem de rumo?

“A 20 segundos da possível colisão, ele vai ficar vermelho e vai nos pedir uma manobra evasiva”, diz Laerte Gouveia. Se os dois aviões estão em velocidade de cruzeiro, em torno de 900 quilômetros por hora, 20 segundos antes significam 5 quilômetros de distância. Parece muito, mas é pouco no céu. Um avião recebe a indicação de subir e o outro, de descer, sempre.

Mas naquela tarde de 2006, o TCAS não funcionou. Uma hora antes, um dos pilotos do Legacy tinha desligado, sem perceber, o transponder, o equipamento que emite dados do voo para o controle em terra e para outros aviões. “Se o transponder estiver desligado, o avião fica invisível para o TCAS”, diz o piloto Laerte Gouveia.

Os pilotos dos dois aviões foram surpreendidos com um solavanco e um som seco de batida. O Legacy perdeu a ponta de uma das asas. O Boeing ficou sem um terço da asa esquerda e logo caiu.

As 154 pessoas a bordo do voo da Gol morreram na hora. O Legacy pousou em uma pista pequena 25 minutos depois da colisão.

“O TCAS deveria ser usado como último recurso, o último instrumento em caso de uma colisão aérea”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Controladores de Tráfego Aéreo, Edleuzo Cavalcante.

Mas hoje, no Brasil, com a economia aquecida e muitos aviões no ar, o que era para ser raro aparentemente deixou de ser. “Nós temos 24 relatórios que nos chegaram recentemente de incidentes considerados de médio para graves, sendo que, em 80% deles, o TCAS, que é o anticolisão, que salvou essa quase colisão”, diz Edleuzo Cavalcante.

“Estava efetuando coordenações quando observei o alerta anticolisão. Quando eu retornei para a mesa do supervisor, as duas aeronaves realizaram manobras TCAS. Pilotos informaram a manobra determinada pelo TCAS”, diz um documento. Esses incidentes aconteceram entre novembro do ano passado e março deste ano, e em apenas um dos quatro Cindactas, os centros de controle aéreo.

“Por ser apenas de um Cindacta, em um período pequeno, pode ser considerado grave ou um resumo de falhas que vai culminar com o acionamento do TCAS. Quando ele é utilizado, é porque a colisão está próxima. Mas ele justamente é para evitar essas colisões”, afirma o consultor de segurança de vôo Roberto Peterka.

Quando há o acionamento do TCAS, pode-se chegar à conclusão que é quase um acidente aéreo? “Não. Por isso tem que ser investigado para ver com que distância passou, com que separação passou, porque está previsto isso acontecer”, afirma o chefe de gerenciamento de navegação aérea do DECEA, Ary Rodrigues Bertolino.

“As quase colisões são principalmente em terminais, em áreas de aproximação, porque você tem um fluxo muito grande, muito rápido de aeronaves”, diz um controlador.

O número de vôos no Brasil cresce mais de 10% a cada ano. Passageiros, 20%. “A aviação comercial brasileira está vivendo um boom, um crescimento estrondoso, e a infraestrutura aeroportuária, inclusive a parte de controle de voo, não está seguindo esse aumento. Nosso risco aqui no Brasil é de 1,4 acidente fatal por cada um milhão de voos. Então, ainda é muito pequeno, apesar dessas deficiências”, afirma o escritor Ivan Sant’anna.

Enquanto o número anual de voos passou de cerca de 1 milhão para 1,5 milhão em cinco anos, o de controladores de tráfego aéreo continua praticamente igual: 3,1 mil profissionais. Muitos têm assumidamente pouca experiência. Um deles trabalha há apenas dois anos e conta: “Já passei por situação que o controle era totalmente inexperiente e que eu, com a pouca experiência que tenho, era o mais experiente no turno do serviço”.

Sexta-feira, final de tarde, nós estamos chegando ao Aeroporto de Campo de Marte, em São Paulo. Ele é muito movimentado. Um avião sobe e desce a cada minuto. Quer dizer, ninguém pode errar. “Olha um avião decolando de Guarullhos, um 747. Ele fez curva para a esquerda para evitar passar na mesma região em que estamos passando”, alerta o consultor aeronáutico Jorge Barros.

Junto conosco, perto de 80 aeronaves voam sobre a cidade de São Paulo. Esse é o número médio do horário de pico: cerca de 60 aviões e 20 helicópteros. Pelo rádio, ouvimos o trabalho frenético dos controladores para evitar que os aviões se aproximem demais uns dos outros. O comandante Jorge Braga está conversando com a gente, mas está bem atento, porque há uns aviões pequenos cruzando do nosso lado e à nossa frente.

Além dos helicópteros, os pilotos precisam se preocupar com balões e urubus. “Informo que passamos em cima de um balão”, diz um piloto. “À esquerda, alguma aeronave se aproxima de Congonhas?”, pergunta Jorge Barros. “À esquerda há uma aeronave, porém há um helicóptero estacionado”, informa a controladora.

“O risco é que a aglutinação de aviões e helicópteros em um espaço tão confinado, em poucas rotas disponíveis, nos obriga a voar próximos uns dos outros”, diz Jorge Barros.

A expectativa é que, em 2011, 1,5 milhão de voos levarão 187 milhões de passageiros. Em 12 dos 20 maiores aeroportos do Brasil, a capacidade máxima já foi atingida.

“Alguns aeroportos nossos, na hora pico, ele está no seu limite. Para isso, a Infraero está fazendo uma série de investimentos. Já iniciamos obras em alguns aeroportos. Estamos fazendo os módulos operacionais. Esses módulos são salas de embarque, alguns módulos inclusive com check-ins, aumentando esse número, pátios e pistas que melhorarão muito o controle do tráfego aéreo”, explica o diretor de aeroportos da Infraero, João Marcio Jordão.

Descemos em oito dos principais aeroportos do país e percorremos 3,5 mil quilômetros. A última etapa da nossa viagem é de volta ao Santos Dumont. A torre do Rio de Janeiro mandou fazer uma volta completa pela direita, porque não é possível que a gente se aproxime agora do Santos Dumont pelo excesso de voos que tem naquela localidade, explica o comandante.

Mas o Rio de Janeiro que encontramos na nossa volta, depois de 15 horas de voo em dez dias, é outro. Visibilidade total sobre a cidade. “A torre do Rio ainda não permite que a gente se aproxime, ela pediu que nós fizéssemos giros sucessivos em cima da lagoa, perto de Niterói, para aguardarmos uma possibilidade de pouso do Santos Dumont. É o que iremos fazer”, explica Jorge Barros.

Há excesso de voos. Temos que esperar voando em círculos, a tal manobra 360. “Agora finalmente estamos autorizados a pousar, mas temos dois aviões a nossa frente e mais dois atrás de nós. Se totalizar o tempo de uma viagem entre Rio e São Paulo, eu diria que de 30% a 40% do tempo é consumido nesses procedimentos de pouso e decolagem”, calcula o comandante Jorge Braga. Foram sete voltas no ar, meia hora de espera até o pouso.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Viracopos se consolida como aeroporto internacional


Primeiro semestre do ano passado foram 49.791 passageiros que embarcaram para fora do País por Campinas



03/08/2011 - 07h37 . Atualizada em 03/08/2011 - 10h48
Adriana Leite   Da Agência Anhangüera  




Embora os números apontem bons resultados, local necessita de melhorias
(Foto: Cedoc/RAC )

Pouco a pouco, Campinas se consolida em mais uma opção para o transporte regular de passageiros ao Exterior.  Há um ano, os voos para outros países foram retomados, como a rota entre o Aeroporto Internacional de Viracopos e Lisboa, capital de Portugal.

Em dezembro do ano passado, foi a vez da América Latina ser contemplada com uma ligação para Montevidéu, com conexões para outros lugares como Buenos Aires (Argentina) e Santiago (Chile). No primeiro ano, foram registrados 91.540 embarques e desembarques.

Os números são promissores, visto que no primeiro semestre deste ano foram 49.791 passageiros frente a 42.489 de julho a dezembro de 2010. Mas ainda são necessários muitas melhoras na infraestrutura aeroportuária de Viracopos e também nos órgãos envolvidos na logística de atendimento aos passageiros e companhias aéreas.
Ainda há lacunas que restringem a ampliação de frequências e novos destinos a partir de Campinas. Estacionamento, free-shop, mais opções na área de alimentação e um número maior de servidores para o trato com viajantes, bagagens e empresas aéreas.
A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) garantiu que está tomando providências para resolver a maioria dos problemas. No entanto, há questões que independem da estatal e estão a cargo de outros órgãos públicos, como o aumento do efetivo de servidores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Mesmo assim, representantes do setor de turismo e passageiros afirmaram que a retomada dos voos internacionais em Campinas foi uma conquista importante, que trouxe comodidade e novos negócios para a região. Evitar o caos de São Paulo para chegar ao Aeroporto Internacional de Cumbica é um fator que pesa muito na hora de decidir por sair a partir de Viracopos para a Europa ou América do Sul.
A consultora de viagens da Vacance Turismo, Valéria Barcellos, afirmou que os valores mais acessíveis para as viagens internacionais, com o dólar baixo, e a facilidade de sair a partir de Campinas impulsionam as viagens por Viracopos. Contudo, a falta de um free-shop é uma reclamação constante dos viajantes.
Há uma grande movimentação de passageiros internacionais em Viracopos. As opções oferecidas por Campinas são interessantes, mas a infraestrutura do aeroporto tem que melhorar. Tivemos alguns problemas com a transferência de voos que sairiam de Campinas com destino a Lisboa para Cumbica. Mas o problema foi normalizado, disse.
A atendente da Adriana Turismo, Suzana Bogarin, comentou que o aeroporto tem que ter mais estrutura de atendimento para os passageiros. Há interesse dos passageiros por Viracopos, mas a falta de free-shop, a dificuldade em encontrar vagas no estacionamento e as poucas opções de alimentação são questões que devem ser resolvidas. Mesmo assim, foi importante a retomada dos voos internacionais. O impacto foi positivo para o mercado de turismo do Interior, salientou. Ela embrou que as questões de infraestrutura não se limitam a Viracopos e são vistas nos terminais em todo País.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Aéreo: Após 4 anos, 3º aeroporto de SP será avaliado por Decea


01 August 2011

Depois de quase quatro anos na gaveta, o projeto de construção de um terceiro aeroporto na Grande São Paulo pela Andrade Gutierrez e pela Camargo Corrêa está prestes a ter avaliada sua viabilidade operacional pelo Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo).
Detentoras do direito de compra de uma área de 9 milhões de metros quadrados em Caieiras, na região metropolitana, as empresas querem autorização para tocar o projeto em regime privado.
Em uma reunião realizada em julho na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), o Decea solicitou mais informações às empresas para estudar a viabilidade técnica do aeroporto, afirmou o chefe do setor que cuida do planejamento estratégico operacional no órgão, Julio Cesar de Sousa Pereira. Segundo ele, de posse desses dados, o Decea levaria um mês para concluir a análise.
De acordo com fontes, porém, o órgão já teria informado internamente ao governo que o projeto não é viável. O resultado reforça a pouca empolgação que o Planalto vem demonstrando em relação ao projeto. A Anac, agência reguladora do setor aéreo, nunca chegou a estudar a viabilidade de outorgar à iniciativa privada a construção e operação do novo aeroporto, revelou uma fonte.
Entre diretores da agência, as desculpas para a falta de ação mostram o caráter polêmico do projeto: o suposto rechaço da presidente Dilma Rousseff, a inviabilidade operacional alegada pelo Decea e até a contrariedade da Odebrecht, construtora rival da Andrade e da Camargo.
O novo diretor-presidente da agência, Marcelo Guaranys, porém, não seria contra a autorização, dizem fontes. Ele assumiu a Anac este mês. O governo de São Paulo é outro aliado à construção do terceiro aeroporto, embora não se posicione especificamente sobre o projeto de Caieiras. A visão é de que um investimento desse tipo seria uma solução para destravar os gargalos de infraestrutura, cujas pontas mais visíveis são as longas filas em Congonhas e Guarulhos.
Uma reunião entre a Secretaria Estadual de Logística e Transportes e a Anac para tratar do assunto, programada para junho, foi cancelada. A agência teria alegado problema de agenda, informou a assessoria de imprensa da pasta. O secretário Saulo de Castro tem uma reunião prevista com o ministro da Secretaria da Aviação Civil, Wagner Bittencourt, "para breve", mas ainda sem data marcada. Pela assessoria, ele disse que prefere não dar entrevista antes do encontro.
Um dos motivos de o governo não incentivar um terceiro aeroporto em São Paulo é a convicção de que conseguirá tirar do papel o projeto do Trem de Alta Velocidade (TAV) ligando Rio, São Paulo e Campinas.
Para técnicos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) que trabalharam nos estudos para o edital do frustrado leilão do trem-bala, a ligação entre São Paulo e Campinas viabilizaria o Aeroporto de Viracopos como terceira opção para a Grande São Paulo. Os estudos do TAV foram conduzidos no BNDES sob a liderança do atual ministro Wagner Bittencourt, que foi diretor de infraestrutura do banco.
No caminho do aeroporto de Caieiras, a 35 quilômetros de São Paulo, está ainda a Infraero. O governo vê que a construção de um novo aeroporto na região pode atrapalhar uma futura abertura de capital da estatal. Mais um aeroporto na Grande São Paulo também poderia reduzir o valor ofertado pelos consórcios interessados nas concessões de Guarulhos e Viracopos.
Segundo um consultor, o governo também teme que a autorização do projeto seja vista como um favorecimento às empresas. No entanto, mesmo que o governo chamasse outros possíveis interessados, as duas construtoras seriam as vencedoras, pois outros grupos teriam dificuldades de encontrar um terreno.
Procurada, a Camargo Corrêa não quis comentar o assunto. A Andrade Gutierrez confirmou, em nota, que "continua interessada e trabalhando para o sucesso do terceiro aeroporto de São Paulo". A SAC não respondeu às perguntas da reportagem.  (Informações: Agencia Estado /Foto: Divulgação)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Empresa: TRIP Linhas Aéreas ingressa no setor de cargas aéreas


28 July 2011

A companhia aérea TRIP Linhas Aéreas anunciou ontem (27.07) que passa a atuar no setor de transporte de cargas com a marca TRIP Cargo.
Para a criação da divisão, a empresa de aviação lançou mão da estrutura de todas as suas bases, com o investimento inicial de aproximadamente R$ 1 milhão.
A meta é que a nova divisão seja responsável por cerca de 2% do faturamento da companhia aérea no curto prazo.

O novo serviço será operado nas 85 cidades atendidas pela TRIP Linhas Aéreas em todas as regiões do Brasil. Além do aproveitamento da malha, a TRIP Cargo terá à disposição toda a frota da TRIP, composta por 47 aeronaves entre Jatos Embraer e turbo-hélices franco italianos ATR. Assim garantimos capilaridade e capacidade, de forma a prestar um serviço com a qualidade reconhecida da TRIP”, reforça o diretor de marketing e vendas da  TRIP Linhas Aéreas, Evaristo Mascarenhas.

Seguindo o modelo de negócios da companhia aérea, a proposta é que a TRIP CARGO faça grande diferença especialmente nas cidades do interior do País, não apenas onde só a TRIP opera, mas em todas as demais cidades, já que a operação permite a integração entre as bases da empresa.
Destacadamente, a operação será muito forte nos municípios da Região Norte, que ainda hoje é o transporte de cagas é concentradamente atendido apenas pelos modais fluvial e terrestre’, exemplifica Mascarenhas.

Para dar conta da operação serão criados inicialmente 150 postos de trabalho. As maiores bases serão localizadas nos HUBs da TRIP, nos aeroportos da Pampulha e Confins (MG); Manaus (AM);Curitiba (PR); Cuiabá (MT); Belém (PA); Campinas (SP); Vitória (ES); Goiânia (GO) e Guarulhos (SP).

“Identificamos uma grande oportunidade na prestação desse serviço, com o benefício de termos a nossa disposição estruturas de base e frota já disponíveis e a demanda significativa em localidades onde praticamente só a TRIP opera, complementa o executivo.

Serão três tipos de serviços oferecidos pela TRIP CARGO, que se diferenciam pela rapidez em que a carga aérea é transportada: TRIP Cargo Imediato, TRIP Cargo Rápido e TRIP Cargo Econômico. (Informações/Foto: Divulgação)